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Matias é um sujeito deslocado da sociedade, afinal de contas ele é um punk. Mas, todo aquele papo de ser contra o sistema capitalista cai por terra quando ele fica apaixonado.

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A história se passa nos anos noventa, quando carro tinha toca cd, entrar na faculdade não era pra todo mundo e celular era coisa de gente rica.

O autor retrata toda a angustia de estar afim de uma garota e não ser correspondido e isso cria uma identificação muito grande com o leitor (afinal, quem um dia nunca ficou na zone friend do tamanho de Júpiter, que jogue o primeiro vinil do Reginaldo Rossi).

Há uma frase dita por Matias que deixa claro o que acontece quando se está perdidamente apaixonado, seria engraçado se não fosse trágico:

“A grande arte de se anular e ser o que você não é”

Confesso que no momento a situação me permite rir dessa frase.

O título da história é dito pelo personagem que classifica seu drama pessoal como a história mais triste do mundo (esse é um outro sintoma de quem está na fossa).

Todo discurso e o visual agressivo vale mais como autoafirmação do que uma filosofia de vida, já que a realidade do Matias é bem diferente do que aparenta, na verdade um garoto mimado, que foi criado com leite e biscoito e no fundo inveja o alvo de suas críticas.

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O roteiro e a arte dessa tragicomédia é feita pelo desenhista porto-alegrense Eduardo Medeiros, que ironiza tanto a situação do personagem quanto o movimento punk e sua ideologia subversiva, por vezes contraditória (por exemplo, do “faça você mesmo” o personagem não passa do discurso).

A arte é estilizada, com um tom bem “cartunesco”, visualmente agradável e a linha narrativa é bem simples mas muito eficiente.

Sobre o autor

Eduardo Medeiros nasceu em Porto Alegre, em 1982 e mora em Florianópolis. É ilustrador de livros, revistas, jornais e autor das hqs. Começou a carreira como animador, trabalhando em filmes como Wood & Stock e Tangos e Tragédias.

Outras obras

Strange Tales (Marvel) – uma pequena história de quatro páginas do Homem – Aranha, mas que foi suficiente pra realizar um sonho de infância.

Webtrip 2013 realizado pelo festival de Lyon, na França (web comic).

MSP+50 – coletânea de histórias feitas por diversos autores utilizando os personagens do Maurício de Souza.

Open Bar – pela StoutClub.

Sopa de Salsicha e Friquinique (trabalhos autorais – o primeiro deve sair no formato de uma graphic novel pela Companhia das Letras).

Carlos Alberto Pereira é Designer e ilustrador (padawan) – Fã de quadrinhos, cinema e música desde sempre. Ah, e continuo achando que o Stan Lee e o Jack Kyrbe são mutantes.

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